Novo livro: A Confederação Geral do Trabalho – Sindicalista Revolucionária, com a Carta de Lyon na íntegra

Editora Acrata e Arquivo Lucy Parsons lançam ebook com a Carta de Lyon na íntegra, o relatório de Pierre Besnard de 1937 e um texto de René Berthier.

Há exatos cem anos, nos dias 1º e 2 de novembro de 1926, um congresso reunido em Lyon, na França, criou a Confederação Geral do Trabalho – Sindicalista Revolucionária, a CGT-SR. No centenário daquele congresso, a Editora Acrata e o Arquivo Lucy Parsons publicam a coletânea A Confederação Geral do Trabalho – Sindicalista Revolucionária, organizada por Ellen Rocha e Lúcio Alves, com três textos que contam de onde a CGT-SR veio e o que ela defendia.

A CGT-SR e a Carta de Lyon

A CGT-SR nasceu de duas rupturas. Seus militantes tinham deixado a CGT reformista e, em seguida, a CGT Unitária, que o Partido Comunista, alinhado a Moscou, havia posto a serviço do partido. Recusavam entregar o sindicato aos patrões, ao Estado ou a qualquer partido. Filiada à Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), a confederação atuou até 1939 e teve em Pierre Besnard seu principal teórico.

Essa recusa virou programa na Carta de Lyon, adotada no congresso de fundação. A Carta retoma a Carta de Amiens (1906) e vai além dela: abandona a neutralidade e se declara contra todos os partidos e contra qualquer ditadura exercida em nome do proletariado. Para ela, o sindicato é mais que instrumento de resistência; já contém a organização da produção, da troca e da distribuição de uma sociedade sem patrões e sem Estado.

“O amanhã deve pertencer aos produtores, agrupados ou associados, em virtude de suas funções econômicas.” — Carta de Lyon, 1926

O que traz a coletânea

CGT-SR, Carta de Lyon (1926). O documento fundador da confederação, na íntegra e em tradução inédita de Antony Devalle, feita a partir do texto reunido pela CNT francesa em Textes fondateurs de la CNT. Vem acompanhado da apresentação que J.C. publicou em Le Monde libertaire, em dezembro de 1959, quando a Carta já parecia esquecida, e que conta sua gênese entre 1921 e 1926.

Pierre Besnard, O anarcossindicalismo e o anarquismo (1937). Relatório ao Congresso Anarquista Internacional de 1937, com prefácio de Alexander Schapiro, em tradução do Coletivo de Tradução do Instituto de Estudos Libertários. Escrito em plena Revolução Espanhola pelo então secretário-geral da AIT, define a relação entre grupos anarquistas e sindicatos: aos primeiros, a propaganda e a educação; aos segundos, a decisão e a ação; a ambos, independência e igualdade.

René Berthier, Sobre o Congresso Anarquista Internacional de 1937 (2026). Texto escrito em português pelo autor, que situa o relatório de Besnard na crise que o opôs à CNT espanhola. Com relatórios policiais, jornais e atas de congresso, Berthier mostra que a história do anarquismo e do sindicalismo revolucionário foi feita de atração e de desconfiança, e encontra o mesmo debate no Brasil, nas páginas de A Voz do Trabalhador, em 1913.

Sobre a edição

O ebook tem 69 páginas e 14 imagens históricas: o cabeçalho do Combat syndicaliste, órgão da CGT-SR; o congresso da CGT em Lille, em 1921; a greve geral pelas oito horas em Paris, em 1906; os retratos de Pelloutier, Griffuelhes, Pouget e Besnard; a redação de La Bataille syndicaliste, em 1911; e a genealogia das confederações sindicais francesas, da CGT de 1895 à CNT francesa de 1946.

A edição traz prefácio de Lúcio Alves, notas do editor, lista de siglas e a origem de cada texto. O livro está sob licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 (CC BY-SA 4.0): pode ser copiado, distribuído e adaptado, desde que se atribua o crédito e se mantenha a mesma licença. A capa é uma composição a partir do cartaz do XIV Congresso Confederal da CGT, de setembro de 1919.

Ficha técnica

TítuloA Confederação Geral do Trabalho – Sindicalista Revolucionária
OrganizaçãoEllen Rocha e Lúcio Alves
PrefácioLúcio Alves
TextosCGT-SR, Pierre Besnard, Alexander Schapiro, René Berthier
TraduçõesAntony Devalle; Coletivo de Tradução do Instituto de Estudos Libertários
EdiçãoEditora Acrata e Arquivo Lucy Parsons
Local e dataFortaleza (CE), novembro de 2026
FormatoLivro digital, PDF, 69 páginas, 14 × 21 cm
ISBN978-65-02-48223-0
LicençaCC BY-SA 4.0

Leia, compartilhe e leve a Carta de Lyon para o seu sindicato, coletivo ou grupo de estudos. Cem anos depois, a pergunta que a CGT-SR fez continua aberta: quem deve organizar a produção e a vida social, senão os próprios trabalhadores?

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