Na noite da última quarta, 22 de julho de 2026, o Plebeu Gabinete de Leitura recebeu um grande número de pessoas para o encontro em memória dos 90 anos da Revolução Espanhola. Entre livros, cartazes, poesia e canções, a data de 19 de julho de 1936 voltou a ser dita em voz alta, não como lembrança distante, mas como experiência viva de transformação social.

A atividade foi organizada em conjunto pelo Plebeu Gabinete de Leitura, pelo Arquivo Lucy Parsons e pelo Instituto de Estudos Libertários.
Uma revolução que não começou em 1936
Robson Alves abriu a noite apresentando o Plebeu Gabinete de Leitura e situando a revolução no seu tempo mais longo: o que se viu na Espanha em 1936 não foi um acontecimento súbito, mas o fruto maduro de um trabalho anarquista paciente, construído desde o século XIX em sindicatos, ateneus, escolas e jornais operários.

Em seguida, Lúcio Alves e Ellen Rocha apresentaram o Arquivo Lucy Parsons e reconstruíram os passos que levaram ao 19 de julho: a resposta popular ao golpe de Estado e, logo depois, a autogestão generalizada da produção pelas próprias trabalhadoras e trabalhadores, com fábricas, campos, transportes e serviços tomados e reorganizados coletivamente.


A conversa também apontou uma ausência: o silêncio quase completo sobre esse período nos materiais didáticos utilizados nas escolas públicas do Ceará. Um silêncio que não é descuido, mas escolha política sobre o que uma sociedade pode ou não lembrar.
A palavra escrita e a palavra cantada
Fernando De La Cuadra falou sobre Miguel Hernández, poeta e combatente morto sob o franquismo, e recitou “Aceituneros” para a sala, os versos dos que colhem azeitonas em terra que não é sua.

Allyson Bruno trouxe reflexões sobre a imprensa, o livro e a palavra escrita como prática central do anarquismo. Uma chave importante para compreender a Espanha de 36: não apenas uma questão militar, mas uma transformação social e, sobretudo, educativa.

O encontro seguiu com Michel Barros, que executou “Ay Carmela” à voz e violão, canção da resistência dos trabalhadores espanhóis contra as forças de Franco, e emendou num repertório que passou por Mercedes Sosa e Belchior.


O que vem a seguir
Alex Fedox, do Cine Molotov, convidou o público para o ciclo de exibições de filmes sobre a revolução social na Espanha, que começa no dia 24 de julho no Plebeu e segue semanalmente por diversos locais.

Amanda Sampaio encerrou a noite agradecendo a presença de todas as pessoas, reforçando a importância do apoio coletivo ao espaço do Plebeu e convidando para a próxima atividade da casa: 1º de agosto, em solidariedade ao povo cubano.

A memória das revoluções também se constrói no presente. E ela não se guarda: se compartilha, se debate e se continua.
Fotografias: Iago Barreto – @iagobasoares 📸
Organização
Arquivo Lucy Parsons
Instituto de Estudos Libertários





























